Roseli Bassi

Era uma vez…

por Marcelo Canellas

“Era uma vez uma menina paulistana que gostava de histórias. Pedia sempre: ”Mãe, me conta aquela da bruxa”!

Então, a mãe fazia voz de malvada, e a garota corria para trás do sofá, fingindo-se de assustada, mas sem piscar até a frase final do conto mirabolante que sempre terminava com o príncipe jogando a feiticeira no caldeirão, matando o dragão e beijando a princesa.

De tanto ouvir as histórias dos outros, passou ela própria a inventar as suas. Ainda que tivesse crescido e virado executiva de uma empresa importante, mantinha a inquietude de menina que a fazia olhar para tudo e para todos, enxergando personagens e cenários e puxando o fio da imaginação com a frase mágica que principia todas as coisas do mundo: ”Era uma vez”…

Pois a menina que cresceu e virou executiva jogou tudo para o ar – carreira, dinheiro, prestígio – e foi morar em Curitiba para contar histórias aos doentes de um hospital. Achou que era muito pouco e, um dia, publicou um anúncio que dizia simplesmente assim: “Seja voluntário e conte histórias”. A moça não pode conter a surpresa quando, na manhã seguinte, 120 pessoas bateram à porta da casa dela atendendo àquela frase intrigante dos classificados de um jornal. Ponto. Viremos a página.

Começa agora a segunda parte da história de Roseli Bassi ou a história do projeto História Viva, o que dá no mesmo, porque Roseli e o projeto misturam-se um ao outro na simplicidade genial de uma ideia.

O que fazem Roseli e sua equipe de voluntários? Nada mais do que visitar os asilos da capital paranaense e ouvir os velhos que moram lá. Reminiscências, invencionices, desabafos, queixas, romances, paixões recolhidas, relatos de vida. Nada é desprezado, tudo é minuciosamente anotado. Depois, Roseli e sua turma transformam o que ouviram em histórias infantis. Traduzem a riqueza da biografia dos velhos para a língua das crianças, ou seja, traduzem para contos de fada. Mas a tarefa só termina quando a turma de Roseli vai até os hospitais ou casas de apoio, onde crianças com câncer se recuperam do tratamento, para promover tardes vibrantes de “contação” de histórias.

É precisamente nesse instante que acontece o milagre operado pelo História Viva: as duas pontas da vida, separadas pela distância de três ou quatro gerações, irmanam-se  em um momento de imensa alegria. Velhos e crianças salvam-se mutuamente da doença e do abandono graças aos príncipes, aos heróis, aos vilões derrotados, aos reinos usurpados e reconquistados pelas forças do bem, e a tudo o mais que povoa o mundo imaginário das nossas fantasias.“

Saiba quem é Roseli Bassi: www.facebook.com/roselibassi

 

 

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